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Juventude nos anos 70, em São Luís

Graça Costa

29 de ago. de 2025

Olhando o mar. Maré baixa. Sol queimando. Lembrei, com saudade, quando ia à praia; ficava horas e horas deitada na esteira sobre a areia. De biquíni, passando bronzeador, vaselina ou bronzeador à base de beterraba, vendida por vendedores ambulantes para fazer marquinhas no corpo bem acentuadas. Nos anos 70 era moda: corpos bronzeados, cabelos volumosos, a pele queimada com as marcas do biquíni.

Para os jovens, a vida era uma mistura de praia e sonho, moda ousada, restaurantes animados, cinemas. A década era de mudanças, de música soul e rock, calça boca de sino e cabelos compridos. As garotas usavam calças jeans apertadas, blusas florais. Os rapazes ostentavam cabelos compridos, camisas de manga curta com estampas psicodélicas e calça boca de sino. A cultura era efervescente, com a popularização da televisão, da música (disco, rock, punk) e da moda inspirada no movimento hippie. Eu acompanhava a moda. Todos os domingos ia à praia tomar banho de mar e bronzear a pele. A praia da Ponta d'Areia e a do Olho d'Água eram as mais frequentadas. A praia da Ponta d'Areia ficava mais próxima do centro da cidade; era a mais frequentada. Os jovens se reuniam para o banho de sol, bater papo encostados nos carros, jogarem bola.

A praia do Olho d'Água ficava mais distante. Além do banho de sol, os jovens jogavam futebol de areia, frescobol. Outros, sentados nos bares, batiam papo, tomavam umas cervejinhas geladas para refrescar, tirando gosto com peixe ou camarão frito, ouvindo música no bar do Nonato. Tinha vários bares à beira-mar; porém, os mais frequentados eram o do Nonato e o bar da Rosângela.

A praia do Calhau, com suas águas cristalinas e areias douradas, era ponto de encontro para banhos de sol e namoro ao pôr do sol; era menos frequentada, ficava mais longe. O carro ficava estacionado em cima. Para chegar, descia ao lado do hotel Quatro Rodas, atualmente Blue Tree. Os restaurantes eram pontos de encontro para comer e conversar.

O tradicional Hotel e Restaurante Quatro Rodas era um dos lugares favoritos para jantares especiais. Outros, devido à especialidade, tinham a preferência das famílias. A Base da Lenoca, na praça Pedro II, servia arroz de toucinho com patinhas de caranguejo; frango de ouro – espeto de frango com queijo e arroz de batipuru; Base do Germano, especialista em caldeirada; Gamela de Ouro servia feijoada e costelinha de porco na brasa; bar do Edilson servia frango grelhado, entre outros. Não tínhamos as variedades que temos hoje; era tudo mais difícil. Com a conscientização do câncer de pele, já não se vê pessoas expostas ao sol como antes; estão sempre protegidas com boné, chapéu e protetor solar. Namorar, na época, era mais romântico. Os casais saíam no final da tarde para saborear sorvete no Hotel Central ou assistir a filmes no Cine Passeio, Cine Éden ou Cine Rox.

Nas escolas, como o Liceu Maranhense, os jovens timidamente debatiam política, liam os poetas da geração e sonhavam com um futuro melhor. Era a época da ditadura, mas a juventude era vibrante e questionadora. Mesmo com as limitações da época, a cidade tinha um charme especial, uma energia que fazia os jovens se sentirem vivos.

E assim a década passou, deixando saudades e memórias. Mas a essência da juventude permanece na história, na arquitetura dos azulejos, nas praias vastas e na alma do povo maranhense.

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